Castelo Branco assinalou, no dia 27 de março, o Dia Nacional dos Centros Históricos Portugueses, com um conjunto de iniciativas que destacaram a importância da preservação, valorização e dinamização destes espaços identitários.
No âmbito das comemorações, a cidade foi palco da Cerimónia de Entrega do Prémio Nacional ‘Memória e Identidade’, que distinguiu o Reverendo Padre Joaquim Augusto Nunes Ganhão, Diretor do Museu Diocesano de Santarém, e o Professor Doutor Leonel Fadigas, Arquiteto Paisagista e Urbanista, em reconhecimento pelos seus relevantes contributos na salvaguarda e valorização do património cultural.
Durante a Sessão Solene, o Presidente da Câmara Municipal de Castelo Branco, Leopoldo Rodrigues, sublinhou os desafios que o Centro Histórico da cidade enfrenta, nomeadamente a perda de moradores ao longo do tempo e o consequente abandono de parte do edificado. Neste contexto, destacou a necessidade de encarar este espaço não só como património cultural, mas também como território habitacional e motor de desenvolvimento futuro.
O Autarca revelou que o Município está a implementar “uma nova abordagem estratégica para a reabilitação e dinamização do Centro Histórico”, que incluiu a contratação de um gabinete de arquitetura especializado em urbanismo. Este trabalho contempla a divisão do Centro Histórico em quarteirões, atualmente em estudo por técnicos especializados, com vista à caracterização do edificado e à definição das melhores soluções de intervenção.
O Presidente da Câmara destacou alguns projetos em curso e previstos para a Zona Histórica, como a reabilitação da Igreja de Santa Maria do Castelo para albergar o Centro de Interpretação Templário, a construção da Escola de Chefs - Centro de Estudos Gastronómicos, a instalação do Museu Académico e a requalificação do palacete José Almeida Garret, destinado a acolher o Tribunal Administrativo do Centro.
É também no coração do Centro Histórico que se situa o Museu Cargaleiro, o Centro de Interpretação do Bordado, a Casa do Arco do Bispo, bem como o Museu Francisco Tavares Proença Júnior e o seu ímpar Jardim do Paço Episcopal.
“O nosso objetivo é que o Centro Histórico volte a ter pessoas, atividade comercial, mais presença do artesanato, mais vida e mais dinâmica”, afirmou Leopoldo Rodrigues, sublinhando que Castelo Branco se orgulha de integrar a Associação dos Municípios com Centro Histórico, valorizando a identidade, a história e o património.
Também presente na cerimónia, o Secretário de Estado da Cultura, Alberto Santos, destacou que os Centros Históricos representam “algo mais tangível, com presença física, sendo ponto de encontro entre quem vive, sonha e trabalha”.
Sublinhou a importância de consolidar a consciência coletiva de que estes espaços exigem preservação contínua, considerando que o prémio atribuído traduz esse esforço em reconhecimento, distinguindo percursos que contribuem para a afirmação das cidades e vilas.
Referiu também que Castelo Branco é um local particularmente adequado para esta celebração, onde “a história habita a memória coletiva, um caminho que importa valorizar e reforçar”.
Hugo Pereira, Presidente da Direção da Associação Portuguesa dos Municípios com Centro Histórico e também Presidente da Câmara Municipal de Lagos, destacou o crescimento da Associação que preside, que conta atualmente com 101 municípios, e enalteceu o património e a oferta cultural de Castelo Branco.
Na sua intervenção, realçou os desafios da gestão dos Centros Históricos, defendendo a necessidade de políticas integradas que conciliem a preservação da autenticidade com as exigências da vida moderna.
Referiu ainda a importância da revitalização das atividades económicas, da regeneração social, da habitação e da modernização do comércio, apontando o equilíbrio e a diversidade de usos como fatores essenciais para o futuro destes espaços.
Um dos homenageados com o Prémio ‘Memória e Identidade’, Leonel Fadigas, destacou que o prémio recebido é o reflexo de um esforço coletivo, reforçando a ideia de que os Centros Históricos pertencem a todos.
Na sua intervenção, alertou para a necessidade de devolver vida a estes espaços, salientando que a sua preservação não depende apenas da reabilitação física dos edifícios, mas sobretudo da presença e da dinâmica das pessoas: “As cidades reconstroem-se, somam-se, mas não se consegue criar um Centro Histórico só de pedras, se não tiver gente que crie ligações afetivas, de convívio, de comunidade, de alma”.
“Os Centros Históricos antigos estão presentes, mas na maioria das vezes são mais terra do que pessoas”. Dessa forma, mais do que a reabilitação física dos edifícios, “a salvaguarda desses centros passa pela vinda de pessoas e a animação que elas darão aos espaços”, evitando que os Centros Históricos passem “da história à arqueologia”.
Lamenta que a legislação urbanística e as regras de defesa do património sejam um entrave à revitalização dos centros históricos e alerta para os constrangimentos criados por uma legislação que considera “desajustada, obsoleta e ineficaz”.
O dia terminou com uma visita ao futuro Centro de Interpretação Mestre Templário Pedro Álvares Alvito, na Igreja de Santa Maria do Castelo, e uma visita ao Centro de Interpretação do Bordado de Castelo Branco, na Praça de Camões.