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Mulheres da música partilharam percursos e desafios em Castelo Branco

09 mar, 2026

Para assinalar o Dia Internacional da Mulher, a Câmara Municipal de Castelo Branco promoveu este domingo, 8 de março, a Conferência “Notas Musicais no Feminino”, destacando o papel e o contributo da mulher no mundo da música, nas suas mais diversas vertentes e expressões artísticas.

A iniciativa decorreu no Auditório do Conservatório Regional de Castelo Branco e reuniu várias mulheres albicastrenses que se afirmam em diferentes áreas musicais, num encontro que procurou dar visibilidade a percursos inspiradores e ao talento feminino que marca a identidade cultural do concelho e da região.

A sessão foi moderada por Christelle Domingos, Vereadora da Câmara Municipal de Castelo Branco, e contou com a participação de várias oradoras que partilharam os seus percursos, refletindo sobre o momento em que a música entrou nas suas vidas e quando perceberam que queriam fazer dela o seu caminho.

Durante o encontro, foram abordados temas como a evolução do ensino da música, os desafios de desenvolver uma carreira artística no Interior do país, o papel da tradição e a crescente presença feminina em diferentes áreas musicais.

Cristina Lima, Diretora do Conservatório Regional de Castelo Branco, destacou a evolução do ensino artístico em Portugal, sublinhando que “a democratização do ensino aconteceu em 1983, com o ensino articulado”, recordando que, até então, “estudar música era um privilégio reservado a determinadas classes sociais”.

A responsável salientou ainda que prefere referir-se a Castelo Branco como estando no Centro e não no Interior, defendendo uma perspetiva menos depreciativa e mais afirmativa do território: “É do Centro que tudo irradia: podemos ir para qualquer lado, levar e também ir buscar”.

Susana Pascoal (nome artístico Suzy), Cantora de Música Popular Portuguesa, afirmou que o principal obstáculo no seu percurso foi a distância dos grandes centros urbanos. “Estar na Beira Baixa, no Interior, com acesso mais limitado, torna o percurso mais difícil”, afirmou, acrescentando que as redes sociais vieram aproximar artistas e públicos, permitindo levar a música a qualquer parte do mundo.

Maria Luísa Correia Castilho, Professora da ESART, recordou o seu percurso académico, referindo ter sido pioneira ao concluir uma licenciatura e um mestrado na área da música, reconhecendo que, atualmente, existe uma presença cada vez maior de mulheres neste universo. A interveniente evocou ainda os tempos em que equipas do Conservatório Nacional se deslocavam à região para certificar as condições de ensino, numa altura em que se começava a dar aulas de música muito cedo, com apenas 15 ou 16 anos.

Filomena Marques, Cantadeira do Grupo de Danças e Cantares da Beira Baixa, partilhou a sua experiência como cantadeira num grupo de música popular e tradicional, predominantemente composto por mulheres, abordando a importância da preservação das tradições musicais e do papel feminino na sua transmissão.

Recordou que, em tempos de outrora, muitas mulheres tinham outras prioridades ligadas às lides domésticas e à vida familiar, não tendo palco nem reconhecimento para expressar o seu talento musical.

Carolina Prates, Soprano e Professora, destacou que, no canto lírico, existe uma forte presença feminina, especialmente entre sopranos, o que aumenta a competitividade, embora considere que essa realidade não se relaciona com desigualdades de género.

Partilhou o início do seu percurso musical, recordando que, ainda muito nova, ingressou na Academia de Música, onde começou por estudar piano e, posteriormente, violino. Mais tarde, já durante o ensino secundário, iniciou aulas de canto, área pela qual acabou por se apaixonar e à qual decidiu dedicar-se até aos dias de hoje.

Joana Teixeira, aluna de Guitarra Portuguesa da ESART, abordou o seu percurso ligado à guitarra portuguesa, instrumento tradicionalmente dominado por homens. A jovem realçou a importância de ter professores que incentivem e apoiem novas gerações de mulheres neste instrumento, revelando que ela será a primeira mulher a cantar fado e, simultaneamente, a tocar guitarra portuguesa.

Ana Paula Martins contou que o fado entrou na sua vida em 2011, quando foi inscrita num concurso de karaoke, do qual acabou por sair vencedora. Destacou o papel de Amália Rodrigues na transformação da perceção social da mulher no fado, referindo que a fadista ajudou a quebrar preconceitos e estigmas associados a este género musical.

A conferência terminou com uma reflexão conjunta sobre o futuro do ensino da música, sublinhando a importância de o tornar cada vez mais acessível e disponível, bem como a necessidade de orientar e moderar a informação obtida através das plataformas digitais.