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CARGALEIRO VIDA E OBRA

A exposição Cargaleiro – Vida e Obra define um espaço mais amplo do Museu Cargaleiro, com a agregação de um edifício contemporâneo, constituído por três pisos expositivos.


A exposição conta com mais de três centenas de obras que evidenciam as características distintas da Coleção numa retrospetiva que tem por base a Vida e Obra de Manuel Cargaleiro. Na exposição destacam-se três núcleos que centram as obras em exibição, designadamente:

  • Núcleo Manuel Cargaleiro
  • Núcleo de Cerâmica
  • Núcleo de Cerâmica Contemporânea

 

Núcleo Manuel Cargaleiro

No edifício contemporâneo estão patentes cerca de 200 obras de Manuel Cargaleiro, dispostas pelos três pisos do edifício. No 1º piso encontramos um núcleo que evidencia as diversas fases do artista, com principal destaque para a área da pintura, com recurso a diversas técnicas, desde a década de 50 até à atualidade.

No 2º piso estão expostas obras de relevo do artista enquanto ceramista, numa retrospetiva pelo seu percurso e pelas técnicas utilizadas.

Finalizando a visita, no 3º piso, apresentam-se trabalhos de estudo e técnica e também uma interessante perspetiva do seu contacto com Itália, onde encontra formas e técnicas peculiares de produção e, sobretudo, cores únicas que transporta para algumas das suas obras.

 

Núcleo de Cerâmica

No edifício do Solar dos Cavaleiros, está patente parte da Coleção de Cerâmica da Fundação Manuel Cargaleiro. Nas duas primeiras salas de exposição encontra-se patente um núcleo muito especial de cerâmica, comummente designada por Faiança Ratinha, que ocupa uma posição particular no âmbito da cerâmica nacional.

Cativante e genuinamente portuguesa, espelha não só as difíceis condições sociais das populações rurais do século XIX – o quotidiano duro, agreste e as angústias de uma população migrante – mas também o ultrapassar dessas agruras pela cor, pela alegria e pela sinceridade das representações que revestiam as peças de uso corrente que os ratinhos - os beirões que viajavam para o Alentejo para as campanhas de ceifas - consigo levavam nas suas deslocações sazonais. Louça grosseira e rústica, mas autêntica na ingenuidade das suas composições, cativa-nos pelo grau de afetividade que dela irradia.

Nas seguintes salas expositivas encontramos ainda a Cerâmica de Triana, da qual se destacam os Lebrillos Trianeros, oriundos de Triana, um bairro de Sevilha, junto ao Rio Guadalquivir.

Os Lebrillos Trianeros são grandes bacias de argila cozida, modeladas no torno, que se caraterizam pela decoração de traço livre, ligado ao antiacademismo, e pela forte policromia utilizada – verde, azul, ocre, amarelo e manganês – e pelo traçado a preto. A decoração central mais utilizada está ligada à temática cinegética, conhecida por montería, com a representação de cavalos, touros e animais de caça, como a lebre. Outras temáticas recorrentes são as arquiteturas, os pássaros, as cenas anedóticas, as caricaturas e os estampilhados de cor azul.

 

Núcleo de Cerâmica Contemporânea

No edifício contemporâneo encontra-se uma área do primeiro piso dedicada à coleção de cerâmica contemporânea, com a exibição de obras distintas e únicas de alguns dos mais prestigiados artistas nacionais e estrangeiros, entre eles: Pablo Picasso, Marc Uzan, Claire Debril, Robert Deblander, Daniel de Montmollin, Guido Gambone e Cecília de Sousa. Neste núcleo é percetível o entendimento da cerâmica em diversos níveis no contexto internacional, considerando-se nove núcleos temáticos com diversas obras de referência, designadamente:

  • Manufactura Nacional de Sévres
  • Materiais em Bruto
  • Arquitectura Impossível
  • Raku
  • Celadon
  • Vietri sul Mare
  • Decorações Figurativa e Abstrata
  • Influência Oriental
  • Geometrismo