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A cidade desenvolve-se
na encosta nascente de uma pequena elevação, que se ergue duma vasta
região planáltica. Assim a descreveu Alexandre Herculano em 1851: "Beira
Baixa olhando em volta parece um plano onde se eleva ao centro o monte de Castelo
Branco em cuja encosta oriental alveja a cidade".Este sítio conferiu
a Castelo Branco todas as características de um aglomerado de fortaleza e
condicionou, durante séculos, os destinos e as funções da cidade.
Da antiga função defensiva é testemunha o Castelo, erguido em boa
posição estratégica e donde se avista, em dias de céu claro,
todo o curso superior do Tejo até à zona raiana.
Comece a visita pelo Castelo,
hoje resultado de sucessivas intervenções. A Igreja de Sta. Maria do
Castelo é um templo de fundação românica que conserva, no
seu interior despido, a lápide funerária do poeta do Cancioneiro Geral,
João Roiz de Castelo Branco. Desça em direcção à Praça
Velha, centro do burgo até ao séc.XIX. Aí se encontravam a antiga
Casa da Câmara, o Celeiro da Ordem de Cristo, o Pelourinho (entretanto destruído)
e o primeiro Paço do Bispo da Guarda, que a toponímia guardou na memória-
Rua do Arco do Bispo.
Siga agora em direcção à
Sé, pela rua de S. Sebastião, com as suas casas apalaçadas,
de meados do séc.XIX, num ecletismo próprio da época. A Igreja
de S. Miguel, hoje Sé Concatedral, começou por ser uma estrutura gótica
muito modificada no séc.XVII. Com a elevação de Castelo Branco
a cidade, em 1771 e com a criação do respectivo bispado, passou a ser
um dos edifícios mais representativos dos creres e viveres da comunidade.
O interior transmite-nos todas as estéticas artísticas dos finais do
séc.XVI ao séc.XIX, da imaginária à pintura, passando pela
talha, mobiliário, alfaias e paramentos. Na sacristia, a que se acede por
uma porta encimada com as armas episcopais do segundo bispo de Castelo Branco,
notável trabalho de cantaria regional, existe um interessante museu de arte
sacra.
Dirija-se agora ao Jardim do
Paço, passando pelo belo Cruzeiro quinhentista
de S. João. O antigo paço, construção dos finais do
séc.XVI, foi mandado edificar como residência Inverno por D. Nuno de
Noronha, bispo da Guarda. D. João de Mendonça funda os Jardins anexos
ao paço, sob evocação de S. João Batista, em 1725. D.Vicente
Ferrer da Rocha, 2º Bispo de Castelo Branco, acrescentou e embelezou, o jardim
em 1782. Entre alamedas de buxo, encontram-se várias estátuas de granito
(trabalhos muito prováveis de cantaria local). As quatro partes do Mundo
então conhecido (Europa, Ásia, África e Índia), os signos
do Zodíaco, a ciclicidade das estações e dos meses do ano, o ar
e o fogo pilares do Universo na concepção grega, os Novíssimos
do Homem (Morte, Juízo, Inferno e Paraíso), as Virtudes Teologais (Fé,
Esperança e Caridade) e as Virtudes Morais (Fortaleza, Justiça, Prudência
e Temperança), tudo se funde, lembrando, a efemeridade da vida e o carácter
contemplativo do jardim. O grande lago, encimado pela cascata, que é rematada
com as representações de Moisés, de Sta. Ana e da Samaritana, recorda-nos
a presença na construção de um outro elemento do Universo: a água.
Dessa plataforma acede-se a outra situada num plano inferior, ladeada pelas escadarias
dos Apóstolos, com toda a simbólica de vida ou de morte, e dos Reis,
de D Afonso Henriques a D. José. |
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| Castelo Branco |
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| Castelo |
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| Rua do Arco do Bispo |
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| Sé |
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| Jardim do Paço |
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| Cruzeiro de S. João |
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