| Toponímia:
Rotaxo - Retaxo
Património Cultural
: Capela de Nª Senhora da Guia
Gastronomia: tijeladas,
sopa de Massa (Casamentos ), cabrito assado e maranhos
Doçaria:
Tigelada, Broas de Mel Biscoitos de Azeite, etc...
Festas e Romarias:Nossa
Senhora de Belém (padroeira do Retaxo –
Domingo que se segue a 15 de Agosto); Nossa Senhora
da Guia (Domingo que se segue a 8 de Setembro);
USOS E COSTUMES - COBRÃO
O cobrão é o nome que o povo dá
a uma doença de pele caracterizada pelo aparecimento
de pequenas vesículas que surgem, segundo a crença,
devido à circunstância das roupas interiores,
quando se encontram a secar, terem estado em contacto
com qualquer bicho peçonhento: cobra, osga, lagarto
ou lagartixa, bichos esses que nelas deixaram, como
se diz em Cebolais de Cima, o seu rastejo. É
o veneno contido nesse rasto que, em contacto com a
pele, desencadeia a doença.
Para curar o doente repetia-se esta fórmula:
"Ouros passei;
Este cobrão cortei;
Ouros hei-de passar
Este cobrão hei-de cortar: a cabeça e
o coração."
Em seguida queima-se palha-de-alho e a cinza obtida
mistura-se com o vinagre. Com uma pena de galinha, fazendo
uma cruz, aplica-se esta mistura sobre a parte doente
por três, cinco, ou sete vezes. Depois de cada
uma das aplicações, corta-se um bocadinho
a um pau fazendo um círculo à volta da
parte doente, mas não a tocando.
ERISIPELA
Doença de pele também constituída
por pequenas bolhas que dão à parte atacada
uma coloração avermelhada.
1ª Versão
Donde vindes, S. Julião?
Venho de Roma.
Que dizem por lá ?
Que há por lá muita zipla e ziplã
má.
Volta atrás S. Julião, vai curar essa
gente. Com raminhos de facho novo. Palavras minhas,
da Virgem Maria e de Santa Isabel.
A.A.C.
Reza-se em cruz três vezes.
2ª Versão
A Nossa Senhora ia para ao monte,
O Nosso Senhor vinha de lá,
O Nosso Senhor perguntou-lhe:
- Que notícias há por lá?
Nossa senhora lhe disse:
- Muita zipla e ziplã má.
- Então volta para trás
E esse mal atalharás
Com farinha de trigo, azeite e corda de espacho.
Molha-se a corda de espacho no azeite, passa-se pela
parte infectada e passa-se farinha por cima.
Nestas duas versões, embora o processo de aplicação
do azeite seja igual ) uma corda de esparto –
"facho" e "espacho"), o curador
mítico, é, na primeira versão,
S. Julião e, na Segunda versão, Nossa
Senhora.
Numa das versões existe um gesto enfeitiçante:
a aplicação em cruz. O três é,
em ambas as versões, o número repetitivo
eficaz.
Na versão 1 há um outro pormenor a salientar:
as últimas palavras com que a curandeira termina
a fórmula: "palavras minhas, de Nossa Senhora
e de Santa Isabel". Estas palavras são uma
demonstração evidente de que os ritos
podem ser encarados como modo de comunicação
entre os homens e o sobrenatural.
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