Toponímia:
Ablativo locativo – In Scallis
(nos marcos). Os romanos colocavam os marços
ao longo das grandes vias para confirmar a sua presença
e indicar distâncias. Uma grande via romana passava
por Escalos (Idanha-a-Velha, Escalos, Castelo Branco,
Tomar, Lisboa).
Património Cultural :
Igreja Matriz: S. Silvestre, finais do séc. XVII,
princípio do séc. XVIII; fachada barroca,
sofreu várias alterações; Torre
e cúpula do séc. XIX.
Capela de Nª Srª das Neves: foi igreja matriz,
já existia desde 1522, o púlpito tem data
de 1660
Capela de S. Sebastião: construída a
partir de 1704
Capela do Monte de S. Luís: séc. XVII
Capela de Nossa Senhora dos Aflitos: fins do séc.
XVII, altar em talha dourada
Chafariz de granito, com duas bicas, impõem-se
pela sua grandeza. Pode dizer-se que é de interesse
concelhio, pela frescura e pureza da sua água
(que os utentes afirmam Ter propriedades medicinais).
De Castelo Branco deslocam-se pessoas para recolher
o precioso líquido.
Artesanato:
bordados (tipo Castelo Branco), mantas de farrapos,
colchas de linho e trabalhos em madeira
Gastronomia: enchidos, ensopado de cabrito
Doçaria:
tijelada, bolo de mel, bicas, borrachões
Feiras:
2º Domingo de Janeiro
Festas e Romarias: S.
Luís (Domingo de Pascoela); São Sebastião
(dia da Nossa Senhora da Santíssima Trindade);
Coração de Jesus (2º Domingo de Setembro)
COBRÃO
O cobrão é o nome que o povo dá
a uma doença de pele caracterizada pelo aparecimento
de pequenas vesículas que surgem, segundo a a
crença, devido à circunstância das
roupas interiores, quando se encontram a secar, terem
estado em contacto com qualquer bicho peçonhento:
cobra, osga, lagarto ou lagartixa, bichos esses que
nelas deixaram, como se diz em Cebolais de Cima, o seu
rastejo. É o veneno contido nesse rasto que,
em contacto com a pele, desencadeia a doença.
Para curar o doente repetia-se esta fórmula:
Rezado em cruz sete vezes:
Aqui te benzi, aqui te torne a benzer
Para que não cresças, nem inverdeças,
Nem juntes o rabo com a cabeça .
Depois a curandeira pega numa réstea de alhos
e desenrola-se entre ela e o doente o diálogo
seguinte: Curandeiro: - Tu tens um cobrão?
Doente: - Ou terei ou não.
Curandeiro: - Corta-lhe a cabeça
Doente: - Corta tu ou não
Curandeiro: - Tu tens um cobrão?
Doente: - Ou terei ou não.
Curandeiro: - Corta-lhe o meio
Doente: - Corta tu ou não
Curandeiro: - Tu tens um cobrão?
Doente: - Ou terei ou não.
Curandeiro: - Corta-lhe o rabo
Doente: - Corta tu ou não
Por fim, queima-se a réstea de alhos e bota-se
primeiro mel sobre a parte infectada e, em seguida,
a cinza das résteas, para secar o mal.
Esta fórmula oferece a originalidade de apresentar
estrutura em diálogo entre a rezadeira e a pessoa
doente. Nesse diálogo. Dois pormenores existem
que se devem ser revelados: a primeira frase "
tu tens um cobrão?" e a repetição
quase contínua e exaustiva de "corta-lhe".
A primeira frase patenteia o costume de se invocar o
nome da doença no início da fórmula
libertadora; e incidência repetitiva que surge
no diálogo em relação a "corta-lhe"
reside no facto de ser esta palavra forte, isto é,
a palavra através da qual a rezadeira liberta
a pessoa do mal que a aflige, a palavra que corta um
laço que liga a pessoa à doença.
O número de vezes necessário para eficácia
das palavras é de sete. O gesto enfeitiçante
é o sinal da cruz: ao fazer-se a cruz sobre qualquer
coisa atraem-se as forças mágicas dos
quatro pontos cósmicos, ideia reforçada
pelo facto de o sentido esquerda – direita, ao
qual o sinal da cruz obedece, representar simbolicamente
o passar da morte à vida.
A utilização do mel e das cinzas das résteas
de alho, em conjunto com a fórmula libertadora,
mostra nesta versão de Escalos de Baixo, uma
dupla intenção: a de desligar a pessoa
do mal, por um lado, e a de curar, por outro com o auxílio
do mel e das cinzas das palhas de alho.
ERISIPELA
Doença de pele também constituída
por pequenas bolhas que dão à parte atacada
uma coloração avermelhada.
Donde vindes S. Julião?
Venho de Roma.
Que há por lá ?
Zepelas e zepelões.
Volta atrás, vai curá-las.
Com o quê?
Com pailhas, trigas e azeite virgem.
Em louvor de S. Julião e Senhor do Horto,
Que tire o mal deste corpo.
AAC)
De seguida, rezam-se cinco Pai Nossos e cinco Avé-Marias
em louvor do Senhor do Horto. Durante a reza, molha-se
a pailha trigo no azeite virgem e aplica-se em cruz na
parte enferma.
Modo de aplicação: pailhas trigas;
Gesto enfeitiçante: reza ser feita em cruz, tal
como nas versões anteriores;
Número eficaz: cinco
Obrigatoriedade do azeite ser virgem, isto é, azeite
proveniente da azeitona sem sal e não caldeada. |