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CULTURA
CINE-TEATRO AVENIDA |
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Viver a Cultura
Quando surgiu a oportunidade da Câmara Municipal de Castelo
Branco recuperar o Cine-Teatro Avenida, confesso que me entusiasmei de sobremaneira
e teimei que da teoria passar-se-ia à prática.
A teimosia explica-se facilmente: trata-se de um edifício que qualifico como uma
obra de arquitectura exemplar da corrente dos anos 50 e, simultaneamente, de um
espaço privilegiado no seio da cidade, onde se pode dar significado à palavra
Cultura. Da aquisição do edifício à abertura do concurso para as obras de recuperação
do imóvel e equipamento passou-se algum tempo, mas o entusiasmo não esmoreceu.
Seriamente danificado em 1986, culpa de um incêndio difícil de controlar, o Cine-Teatro
Avenida deixava antever facilmente as potencialidades que os escombros pretendiam
esconder.
E hoje, depois de um ano e meio de obras, é com enorme orgulho que assisto à realização
da sessão inaugural do novo Cine-Teatro Avenida, um espaço que manteve a fachada
original, mas que sofreu alterações no interior que permitem apostas riquíssimas
e diferentes no panorama cultural da cidade de Castelo Branco.
Ciente de que o êxito de espaços como este dependem de quem organiza e de quem
assiste às diferentes manifestações culturais, deixo um apelo: dêem vida ao Cine-Teatro
Avenida. Venham visitá-lo.O Cine-Teatro é vosso.
Joaquim Morão, Presidente da Câmara Municipal
de Castelo Branco |
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A Responsabilidade
da Recuperação
Nos anos 50, o edificio apresentava uma plateia, 1º e 2º balcão e, ao nível -
1, um restaurante gerido independentemente. A lotação era de 1 000 lugares sentados.
Entender as potencialidades de um edifício danificado, as suas riquezas e deficiências
é, se quiserem, um exercício altamente criativo. Contudo, a recuperação de um
imóvel é também uma grande responsabilidade, já que fatalmente vamos desafiar
eventuais memórias do mesmo espaço.
O Cine-Teatro Avenida - ocupa um gaveto de Campo da Pátria e da Avenida Marechal
Carmona - foi projectado no final dos anos 40 pelos arquitectos Raúl César Caldeira
e Alberto Cruzeiro Galvão Roxo, ambos de Castelo Branco. A obra decorreu com algum
vagar e, a 2 de Outubro de 1954, o novo espaço cultural desta cidade abre as suas
portas com as peças de teatro "Prêmio Nobel" e "Ceia dos Cardeais", desempenhadas
pela Companhia de Teatro Nacional de D. Maria 11 de Lisboa. As sessões cinematográficas
começam dois dias depois.
O sucesso marcou a abertura do Cine-Teatro Avenida, um espaço arquitectonicamente
típico de uma linguagem dos anos 50.
Na noite de 22 de Agosto de 1986, um incêndio de largas proporções vem interromper
a vida deste espaço. Restaram apenas os elementos mais resistentes da construção,
a pedra e o betão, o que, posteriormente, condicionou a recuperação do imóvel.
Quando a GITAP me convidou para liderar o projecto de recuperação
do imóvel e equipamentos, facilmente, concordámos em manter a fachada original,
para que em harmonia o imóvel recuperado possa viver urbanisticamente com outros
elementos arquitectónicos dos anos 50. Reajustámos o espaço interior de forma
a possibilitar programas culturais que não se limitassem à Sétima Arte.
Quisemos, na recta final dos anos 90, potencializar o edificio para uma faceta
mais polivalente. A sala apresenta agora uma lotação de 700 pessoas, 408 lugares
na plateia, 264 no 1º balcão e 7 camarotes com uma lotação de 31 lugares. Suprimimos
o 2º balcão, o que nos permitiu conceber um espaço digno para provisoriamente
instalar a nova escola de artes, na vertente de Música, do Instituto Politécnico
de Castelo Branco. Criámos, ainda, ao nível do piso - 1, por baixo da plateia,
um salão de grandes dimensões, polivalente, mas que se presta de uma forma excelente
para exposições diversas. Nesse mesmo piso, recuperámos uma antiga nora que já
existia antes de 1954, a data de in augurarão do Cine-Teatro Avenida. A nora,
no centro desta sala polivalente pode ser entendida como um elemento insólito,
contudo julgamos que contribui largamente para criar uma atmosfera carismática.
Esperamos que este novo Cine-Teatro Avenida seja mais uma contribuição para a
vida cultural da cidade de Castelo Branco. |
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| Piso 1 |
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| Piso 0 (Plateia) - Planta do Auditório |
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| Piso 1 (Balcão) - Planta do Auditório |
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| Piso 2 (Balcão) - Planta do Auditório |
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História
Recuperámos na biblioteca da Câmara Municipal de Castelo Branco um livro, edição
de autor de 1958, intitulado Castelo Branco - Na História e na Arte, de Manuel
Tavares dos Santos.
Assim, a todos os que se entusiasmam com pequenas viagens ao passado, aconselhamos
a leitura do excerto do livro relativo ao Cine-Teatro Avenida: 'Cine-Teatro Avenida
- ocupa um gaveto do Campo da Pátria e da nova Avenida do Marechal Carmona, num
terreno com a superfície de 2.050 metros quadrados.
Projectado pelos arquitectos Raul César Caldeira e Albertino Crujeiro Galvão Roxo,
o edifício tem uma área coberta de 1. 147 metros quadrados, comportando 1.238
espectadores, sendo 52 em onze camarotes, 334 no 1º balcão, 218 no 2º balcão e
634 na plateia. O terreno sobrante, com a superfície de 903 metros quadrados,
constitui uma esplanada para espectáculos ao ar livre.
O edifício, concebido no estilo moderno, é um exemplar característico da evolução
da Arquitectura, operada no século XX, com o emprego de novos materiais de construção.
Além do salão principal, balcão e camarins possui, nos seus três pisos, outros
salões, botequins e todas as dependências inerentes a uma moderna casa de espectáculos.
Por ser o terreno extremamente húmido, os alicerces são constituídos por vigas
de betão armado apoiadas em estacas cilíndricas do mesmo material e foram construídos
por uma empresa da especialidade, de Lisboa, dirigida pelo engenheiro Ricardo
Esquivel Teixeira Duarte. As outras obras de construção civil foram executadas
pela empresa construtora Abrantina.
A instalação eléctrica foi projectada e dirigida pelo engenheiro Marques Sequeira.
o decoração e o mobiliário foram executadas pela fábrica de Manuel de Sousa, dos
arredores do Porto. o aparelhagem de cinema foi fornecido pela empresa Philipps
Portuguesa e os cristais foram adquiridos na empresa Cristal de Alcobaça. o palco
está preparado para projecções de 9 m x 5 m pelo sistema panorâmico. É contornado
por uma bordadura de madeira rendilhada, através da qual se destacam, em luz de
várias cores, os motivos que caracterizam os bordados de Castelo Branco.
A construção do Cineteatro , que importou em cerca de sete mil contos (...).
A construção foi iniciada em Abril de 1950 e ficou concluída em Setembro de 1954.
A inauguração foi feita no dia 2 de Outubro de 1954 às 22 horas com a representação
das peças "Premio Nobel" e "Ceia dos Cardeais", primorosamente desempenhadas pela
Companhia do Teatro Nacional de D. Maria II, de Lisboa, da qual faziam parte a
famosa actriz Amélia Rey Colaço, Robles Monteiro e os apreciados actores, naturais
do Concelho de Castelo Branco, Robles Monteiro e Raul de Carvalho. A seguir ao
espectáculo houve um animado baile abrilhantado pela Orquestra
Copacabana.
Após a representação das peças "O Leque de Lady Windermere" e "Essa Mulher", pela
mesma companhia, nas noites de 2 e 3 de Outubro, foram dados os primeiros espectáculos
de cinematógrafo no dia 4 de Outubro às 16 horas com a exibição da fita "Enrico
Caruso" e às 20 horas e 30 minutos com a exibição da fita "Salomé"'.
Este é o retrato do inicio do Cine-Teatro Avenida. Quarenta e seis anos depois,
eis o novo Cine-Teatro Avenida. Diferente, moderno, dentro do espírito daquilo
que se pretende que seja o panorama cultural da cidade de Castelo Branco.
A cidade ficou assim dotada com uma soberba casa de espectáculos que pode colocar-se
a par das melhores do país".
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